|
Pablo
Neruda

Ojos
Oceánicos
Inclinado
en las tardes
tiro mis tristes
redes a tus ojos
oceánicos.
Curvado sobre as
tardes lanço
minhas tristes
redes em seus
olhos oceânicos.
Allí
se estira y arde
en la más alta
hoguera mi
soledad que
da vueltas los
brazos como un náufrago.
Lá se abre e
queima na mais
alta fogueira
minha solidão
que
meus braços
abraçam como um
náufrago.
Hago
rojas señales
sobre tus ojos
ausentes que
olean
como el mar a la
orilla de un
faro.
Faço sinais
vermelhos para
seus olhos
ausentes que
ondeiam
como o mar a
beira de um
farol.
Sólo
guardas
tinieblas,
hembra distante
y mía, de tu
mirada
emerge a veces
la costa del
espanto.
Só olhas a
escuridão, fêmea
distante e
minha, de seu
olhar
emerge às vezes
a costa do medo.
Inclinado
en las tardes
echo mis tristes
redes a ese mar
que sacude tus
ojos oceánicos.
Curvado sobre as
tardes eu lanço
minhas redes
tristes para
esse mar que
treme seus olhos
oceânicos.
Los
pájaros
nocturnos
picotean las
primeras
estrellas que
centellean como
mi alma cuando
te amo.
Os pássaros
noturnos bicam
as primeiras
estrelas que
brilham
como minha alma
quando eu te
amo.
Galopa
la noche en su
yegua sombría
desparramando
espigas azules
sobre el campo.
Galopa a noite
em sua égua
sombria
derramando
espigas azuis
sobre o campo.
Pablo
Neruda
Voz:
Juan Jose Torres

|