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As
Novas Tecnologias segundo
as Teorias da Aprendizagem

O
que Skinner, Piaget e Vygotsky teriam a dizer
sobre o computador e a Internet nas escolas?
Neste artigo, a professora Raquel C. Navarro, da
Faculdade de Filosofia São Camilo, do Espírito
Santo, fala sobre uma experiência com Informática
Educativa numa escola municipal e analisa os
recursos tecnológicos colocados à disposição
da comunidade educacional como um desafio a ser
enfrentado, lembrando que uma ferramenta não
substitui o envolvimento humano e a afetividade
indispensáveis ao desenvolvimento da
sociabilidade.
Partindo
dos estudos de Skinner, passando por Piaget e
chegando ao sócio-construtivismo de Vygotsky, o
artigo justifica o uso do computador como
recurso válido para o desenvolvimento de
habilidades e competências em alunos de quinta
a oitava séries, preparando-os para um mercado
de trabalho cada vez mais convulsionado por
novas incógnitas.
A educação brasileira está se adaptando às
necessidades da sociedade, e o principal desafio
é a adaptação às grandes modificações
sociais, culturais e econômicas
criadas
pela explosão das novas tecnologias. Nesse
sentido, inovar é indispensável, e urgente,
mas não se trata de adaptar a educação às
tecnologias, e sim iniciar um novo momento de
aprendizado.
Muitas escolas já estão equipadas para fazer
uso da nova filosofia. Por outro lado, a frieza
das altas tecnologias impõe uma contrapartida
indispensável de calor humano: quanto mais
tecnológica é uma sociedade, mais necessita de
compensações ao nível dos valores humanos e
da afetividade. É aqui que se situa a função-chave
de uma escola reinventada: dar estrutura a um
mundo de diversidade, fornecer os contextos e
saberes de base para uma autonomia de sucesso
nesse mundo, e fornecer as respostas humanas
compensatórias de que a escola dos nossos dias
se está a distanciar tão perigosamente.
Na postura adotada durante o estágio, encontrei
afinidades com tendências voltadas para o
estudo das interações da escola, que (...)
procuram trabalhar só o empírico e o teórico
como também a teoria e a prática no contexto
educacional, articulando as dimensões micro –
(cotidiano) e macro – (relações estruturais
e funcionais) da instituição escolar[1].
E
o professor?
O
computador, a TV ou qualquer outra tecnologia não
irá substituir o professor. Em contrapartida,
ele, como capital humano, buscará
instrumentalizar-se apoiado por uma base
compensatória. O “produto” que dele sai: o
aluno efetivamente alfabetizado, informado,
politizado, conscientizado do seu valor e da sua
responsabilidade no mundo moderno é a mola
mestra para impulsionar a capacidade da aventura
do professor por saberes diversificados.
Quando iniciamos um laboratório de informática
na escola, qualquer recurso que seja pode ser
visto pela comunidade educacional como um
“modismo” e assim tornar-se um ponto de
“obrigação” o uso daquele equipamento.
Teoria
e Prática
Para
que o educador possa construir progressivamente
a sua competência profissional, é necessário
que tematize sua prática, produzindo
conhecimento pedagógico enquanto planeja,
pesquisa, avalia e articula experiências com
seus parceiros, criando intervenções que
favoreçam o desenvolvimento do aluno.
Dentro de um contexto psicológico e
educacional, a escola passa por inúmeras
“experiências” e no decorrer deste século
importante vertentes teórico foram construídas.
Procurando traçar um paralelo entre as teorias
educacionais e a tecnologia presente hoje dentro
das escolas, explicitamos algumas teorias do
conhecimento:
Teoria
Comportamentalista
O
comportamentalismo (behaviorismo) apareceu no início
do século 20 com o argumento de que o foco da
psicologia humana deveria ser o comportamento ou
atividades do ser humano (Watson, 1924). Na
educação, o comportamentalismo está mais
associado ao trabalho de Skinner, que estava
focado no comportamento voluntário, deliberado,
que ele acreditava ser a maior parte do repertório
comportamental de um indivíduo. Defendeu a
teoria de que este comportamento, que ele
denominou operante, por ser a forma de um indivíduo
operar ou influenciar o ambiente, é afetado
pelo que se segue a ele bem como pelo que o
precede.
No
behaviorismo, aprendizagem = exibir o
comportamento apropriado. Neste enfoque, a
atividade de aprendizagem é planejada de modo a
serem ensejadas situações em que o estudante
evidencie comportamentos desejados (digitando
respostas).
"Pode-se, assim, dizer que o comportamento
é sempre o resultado de associações
estabelecidas entre algo que o provoca (um estímulo
antecedente) e algo que o segue e o mantém (um
estímulo conseqüente)." (Davis, 1991:33)
Para isto são organizadas atividades de
ensino-aprendizagem com vistas a:
·
Treinar os estudantes a exibir
determinado comportamento.
·
Usar reforço positivo para reforçar o
comportamento desejado.
·
Usar reforço negativo para reduzir a
freqüência do comportamento não desejado.
A
instrução programada é uma ferramenta de
trabalho nesta linha de ação e aplica os princípios
de Skinner de comportamento humano. As características
importantes desta estratégia são:
·
apresentar a informação em seções
breves
·
testar o estudante após cada seção
·
apresentar feedback imediato para as
respostas dos estudantes
Com
o crescente uso do computador na educação,
surgem muitos produtos no mercado que utilizam
tais princípios, entre outros. Antigos mitos,
derivados de um período em que se acreditava
que o computador poderia ser usado amplamente
como máquina de ensinar, vêm à tona
novamente.
Teoria
Inatista Maturacionista
A
abordagem inatista se baseia na crença de que
as capacidades básicas de cada ser humano
(personalidade, potencial, valores,
comportamentos, formas de pensar e de conhecer)
são inatas, ou seja, já se encontram
praticamente prontas no momento do nascimento,
ou potencialmente determinadas e na dependência
do amadurecimento para se manifestar.
Nesta visão, o desenvolvimento é pré-requisito
para o aprendizado, e o desenvolvimento mental
é visto de modo retrospectivo.
Essa perspectiva pode trazer uma série de
comprometimentos ao fazer educativo, pois
entende que a educação pouco ou quase nada
altera as determinações inatas. Os processos
de ensino só podem se realizar quando a criança
estiver "pronta", madura, para
efetivar determinada aprendizagem. A prática
escolar não desafia, não amplia nem
instrumentaliza o desenvolvimento de cada indivíduo,
pois se restringe àquilo que este já
conquistou. Esta abordagem promove uma
expectativa significativamente limitada do papel
da avaliação, na medida em que considera o
desempenho do aluno fruto de suas capacidades
inatas. Desse modo, gera-se certo imobilismo e
resignação provocados pela convicção de que
as diferenças não serão superáveis pela
educação.
Dentro desse conceito, o professor sente na própria
pele a cobrança “inatista” dos seus
superiores para sua adequação às novas
realidades educacionais. Sem qualquer “teste
psicológico”, fica claro que o professor não
possui “maturação” para utilizar de novos
meios de ensino – aprendizagem.
Teoria
Piagetiana
Piaget
construiu a sua teoria cognitiva, denominada de
epistemologia genética, partindo do princípio
que de existe certa continuidade entre os
processos puramente biológicos e de adaptação
ao meio e a inteligência, não admitindo que a
inteligência seja inerente à própria vida,
mas sim assumindo que a inteligência é uma das
formas de adaptação criadas pela vida em sua
evolução.
"Com efeito, a vida é uma criação contínua
de formas cada vez mais complexas e um equilíbrio
progressivo entre essas formas e o meio. Dizer
que a inteligência é um caso particular de
adaptação biológica é, pois, supor que ela
é essencialmente uma organização e que sua
função é estruturar o universo como o
organismo estrutura o meio imediato" (Piaget,
1991:10).
Esta
continuidade, citada por Piaget, assume
significada a partir da estrutura anatômica e
morfológica, passando pelos sistemas de
reflexos que levam aos hábitos e associações
adquiridos que dão origem, por sua vez, à
inteligência prática ou sensória motora e,
por fim, à inteligência refletida.
A inteligência para Piaget se constrói na
medida que novos patamares de equilíbrio
adaptativo são alcançados. Piaget concluiu sua
obra explicitando qual o motor pelo qual este
equilíbrio se processa mas, além disto, Piaget
estudou exaustivamente a gênese das estruturas
cognitivas nas crianças da sua comunidade. Este
estudo lhe permitiu classificar grandes períodos
na construção da inteligência no homem.
Estes, que contemplam desde o nascimento até a
fase adulta, são os seguintes:
·
estágio sensório motor (entre 0 e 2
anos aproximadamente)
·
estágio pré-operatório ( entre 2 e 6
anos aproximadamente )
·
estágio operatório-concreto (entre 6 e
12 anos aproximadamente)
·
estágio operatório-formal ( a partir
dos 12 anos)
"Na
medida em que os indivíduos decidem com
igualdade - objetivamente ou subjetivamente,
pouco importa - , as pressões que exercem uns
sobre os outros se tornam colaterais. E as
intervenções da razão, que Bovet tão
justamente observou, para explicar a autonomia
adquirida pela moral, dependem, precisamente,
dessa cooperação progressiva. De fato, nossos
estudos têm mostrado que as normas racionais e,
em particular, essa norma tão importante que é
a reciprocidade, não podem se desenvolver senão
na e pela cooperação. A razão tem necessidade
da cooperação na medida em que ser racional
consiste em 'se' situar para submeter o
individual ao universal. O respeito mútuo
aparece, portanto, como condição necessária
da autonomia, sobre o seu duplo aspecto
intelectual e moral. Do ponto de vista
intelectual, liberta a criança das opiniões
impostas, em proveito da coerência interna e do
controle recíproco. Do ponto de vista moral,
substitui as normas da autoridade pela norma
imanente à própria ação e à própria consciência,
que é a reciprocidade na simpatia."
(Piaget, 1977:94)
Piaget define o respeito como uma valoração
que se destina às pessoas e não aos objetos ou
serviços, e o respeito só se concretiza pelo
reconhecimento da escala de valores do indivíduo
respeitado, reconhecimento não significando
aqui a adoção, mas sim, a atribuição de
valor. É possível inclusive que os serviços
prestados por um indivíduo sejam valorizados
sem que ele mesmo seja respeitado. Respeitar um
indivíduo não é respeitar as regras que ele
impõe (esse é o respeito na visão de Kant e
Durkheim), pois como mostrou Bovet:
"é o respeito pela pessoa que engendra as
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
obrigações e não o inverso.... A 'substituição
recíproca das escalas' ou 'dos meios e dos
fins' nada mais é do que a expressão de um
respeito mútuo" (Piaget, 1973:146).
O respeito mútuo é precedido na ordem da gênese
psicológica pelo respeito unilateral, ou pela
valorização não recíproca de dois indivíduos
A introdução às novas tecnologias deve ser
feita a partir de um interesse específico do
sujeito que aprende. Esse interesse pode ser lúdico,
estético ou pragmático. O aprendizado portanto
se dá com o uso efetivo do computador para a
realização de uma tarefa. Conforme Piaget, o
conhecimento se constrói na ação efetiva,
seja esta a ação que se realiza sobre os
objetos ou na interação com os outros
sujeitos.
Atender a um interesse específico do sujeito
que aprende pressupõe um respeito efetivo à
individualidade deste sujeito, pressupõe também
a inserção do processo do aprendizado na
realidade e no contexto da vida dos alunos.
Raquel
C. Navarro
Faculdade de Filosofia São Camilo
Espírito Santo
Bibliografia
·
DAVIS, C.; OLIVEIRA, Z. Psicologia na
educação. Editora Cortez. São Paulo, 1991
·
SMOLKA, A. L. B. A prática discursiva na
sala de aula: uma perspectiva teórico e um esboço
de análise. Cadernos CEDES. Campinas. Papirus /
CEDES, 1991.
·
PIAGET, Jean. Estudos Sociológicos. Ed.
Forense. Rio de Janeiro, 1973.
·
PIAGET, Jean. O julgamento moral na criança.
Editora Mestre Jou. São Paulo, 1977.
·
ARANHA, Maria Lucia de Arruda. Filosofia
da Educação. Ed. Moderna. São Paulo, 1997.
·
CRUZ, Roseli Fontana Nazaré. Psicologia
e Trabalho Pedagógico. Ed. Atual. São Paulo, 1997.
Artigo
retirado da Internet com intenção única de
ajuda ao professor.
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