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EDUCAÇÃO
FÍSICA
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O que
está em jogo
A Educação
Física deve agregar todos os alunos nas atividades físicas, afirmam os
PCN. Como? Adotando a dança, os jogos, as brincadeiras e as lutas, além
da ginástica e dos esportes como objetos de ensino-aprendizagem.
| O
que muda no trabalho da disciplina com os PCN? |
| Até
os anos de 1970, a ênfase da disciplina estava na prática
dos esportes. A idéia era fazer todo mundo praticar algum
esporte. Quem se sobressaísse poderia até representar o
Brasil nas competições internacionais, com grande
destaque. Isso acabou não acontecendo. Na realidade, o
resultado foi o contrário, com a exclusão de uma grande
parte dos alunos da atividade física. Quem não conseguia
atingir o padrão exigido dizia "não gosto de
esporte", mas o que estava subentendido era "não
sei jogar basquete" – e se colocava de fora. Nada
mais natural, uma vez que a Educação Física é a
disciplina que mais expõe os alunos. Em outras áreas
como Português, Matemática ou História, se o estudante
não fosse bem, ele tinha duas alternativas: ou procurava
um professor particular para se recuperar ou era
reprovado. Na Educação Física, ele se afastava das
quadras. Hoje os Parâmetros propõem a inclusão de todos
os alunos nas atividades físicas, já que elas são um
modo de desenvolver o bem-estar, as relações pessoais e
o cuidado consigo mesmo. Da 1ª à 4ª série, isso se dá
principalmente por meio de variações de jogos
populares como pega-pega e mãe da rua. Os PCN inserem a
Educação Física na formação da pessoa. Para atender
à diversidade de conteúdos e situações, eles propõem
que a dança, os jogos, as brincadeiras e lutas sejam
incluídos como objeto de ensino-aprendizagem, junto com a
ginástica e os esportes. O aluno deve sentir prazer em
perceber a cultura corporal, isto é, conseguir valorizar
o refinamento de uma jogada de futebol ou a apurada técnica
de um bailarino clássico. |
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Quais
são os conteúdos de Educação Física?
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| Assim
como nas demais disciplinas, na Educação Física há
conceitos, procedimentos e atitudes. Os conceitos são os
conjuntos de regras das atividades físicas, como nos
jogos e esportes. Os procedimentos são o saber-fazer:
correr, passar a bola, pular, agachar, chutar a bola,
arremessar. As atitudes são representadas por tudo o que
esses conhecimentos geram nos alunos em termos de postura,
comportamento – como autonomia, liderança, espírito de
equipe. Por exemplo, num jogo como pique-bandeira, a criança
precisa desenvolver a autonomia. Na verdade, os conteúdos
aparecem todos ao mesmo tempo. O professor pode dividir a
turma em duas equipes para jogar queimada e alterar a
regra, de modo que haja dois ou três integrantes que
excedam o número máximo de jogadores em campo. Estes vão
para a reserva, mas o professor avisa que todos têm de
jogar. Ele cronometra o tempo de jogo de cada aluno. No
final, discute com a turma por que alguns jogaram pouco e
outros quase o tempo todo. Se a justificativa for o fato
de não jogarem tão bem, ele deve questionar a resposta.
Afinal, quem não praticar nunca vai desenvolver
habilidades para jogar melhor. Uma situação corriqueira
como essa possibilita discussões ricas sobre atitudes, ao
mesmo tempo que permite ao professor exercitar os
procedimentos e o conhecimento das regras, isto é, os
conceitos. Como a Educação Física é principalmente um
trabalho em equipe, é um campo privilegiado para se
trabalhar as relações interpessoais. Outra atividade é
simplesmente mostrar o vídeo de uma final do campeonato
brasileiro de futebol e discutir as jogadas violentas. |
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Como
o professor de Educação Física deve encarar a superação
de limites?
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| A
competitividade é um dos valores da Educação Física,
assim como a cooperação. É preciso saber quando ser
competitivo e quando ser cooperativo. Se os meios de
comunicação enfatizam a superação de limites a
qualquer custo, cabe ao professor de Educação Física
orientar seus alunos sobre o que é saudável e o que não
é, para que consigam avaliar quando estão excedendo seus
limites e prejudicando sua saúde. A decisão é de cada
um, mas deve ser tomada depois de uma reflexão. Cada
aluno deve ter clareza de que existem opções e que elas
devem ser conscientes, de acordo com os valores que forem
mais importantes para si. |
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| Quais
as maiores dificuldades na aplicação dos PCN de 1ª a 4ª
série? |
| Uma
grande dificuldade é a polivalência do professor de 1ª
a 4ª série em muitas escolas públicas, inclusive na área
de Educação Física. Em geral, como os professores não
praticam uma atividade física, o receio é de que eles
ensinem conteúdos conceituais em uma aula teórica na
classe e não na quadra. |
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As crianças
têm habilidades diferentes. Na Educação Física, essas
diferenças são mais perceptíveis. Como é possível não
deixar de lado quem tem mais dificuldade para as
atividades físicas?
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Um ponto fundamental a ser
considerado é que nem todos precisam fazer a mesma coisa
ao mesmo tempo, exatamente porque as pessoas têm
habilidades diferentes. Daí a importância da variedade
de objetos de ensino-aprendizagem na disciplina. Se a
criança tem a oportunidade de viver diferentes
possibilidades, ela percebe que pode participar com
sucesso de muitas atividades, mesmo não sendo craque em
futebol, mesmo não sendo a mais forte ou a mais rápida.
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| Como
funciona a valorização do conhecimento prévio da criança
na Educação Física? |
| É
preciso descobrir e valorizar o que as crianças dessa
faixa etária conhecem sobre jogos de rua, por exemplo. A
partir daí, o professor vai introduzir jogos novos, mas
considerando as habilidades desenvolvidas pelas crianças,
como bater bola, passar a bola etc. – isso também é
conhecimento prévio. |
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Que critério
o professor deve usar para organizar seus conteúdos?
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O critério básico é
escolher conteúdos que tenham relevância social na região
onde o professor está ensinando. No Brasil, futebol é
muito mais importante do que basquete, por exemplo.
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| Como
a Educação Física trata os Temas Transversais? |
| A
questão do meio ambiente, por exemplo, é latente, pois
meio ambiente não é só o campo, o rio. É o meio em que
vivemos. Por isso, não adianta fazer discurso sobre
preservação do meio ambiente e deixar a quadra suja ou
uma torneira vazando. Outro aspecto do meio ambiente em
Educação Física é a discussão sobre os esportes
radicais, ou seja, verificar exatamente o quanto eles
deterioram o meio ambiente e como se pode praticá-los com
o máximo de respeito pela natureza. O conhecimento das
diferenças entre os sexos, isto é, entender que o corpo
feminino e o masculino se movimentam e se organizam de
formas diferentes, é muito importante. Em uma partida de
basquete masculino, o que mais conta é a potência; no
feminino, a habilidade. A dança é uma excelente forma de
comunicação entre os sexos que pode ser usada na aula de
Educação Física. O problema é que ainda há muita
resistência por parte dos alunos. É preciso respeitar o
outro, a multiplicidade de vivências. Mais uma vez, a dança
pode ajudar – e muito – na percepção e valorização
de outros povos e etnias. |
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Qual
deve ser a postura do professor diante dessas novas
propostas?
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| A
postura é a de um mediador. Ele deve ter em mente que
para ensinar algo não tem, necessariamente, de saber tudo
sobre aquilo, mas é fundamental que se coloque o tema
como uma questão. Há momentos em que a descoberta se faz
na parceira do aluno com o professor. Ele deve sempre
considerar que há conteúdos ocultos. O seu papel é
montar as aulas procurando gerar desequilíbrios, para
colocar os alunos à prova no manejo dos conflitos, pois
é aí que se aprendem as atitudes que vão formar cada
aluno como cidadão. Além disso, os PCN precisam ganhar
vida nas mãos dos educadores, para que sejam
realimentados. Não temos tempo para recomeçar do zero.
Temos de correr atrás de uma excelência na educação
brasileira. É importante que a reflexão seja conjunta. |
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| O
que muda na avaliação? |
| A
avaliação tradicional contabiliza a freqüência e a
participação. Agora, é preciso olhar o processo de
aprendizagem e não o resultado isoladamente. Para tanto,
o professor precisa criar novos instrumentos de avaliação.
Por exemplo, criar uma ficha de condicionamento físico
para que os alunos anotem o que estão fazendo em casa é
um jeito interessante de avaliar o compromisso, a
disciplina, a organização e ao mesmo tempo perceber como
eles estão aplicando o que foi aprendido, verificar se os
conteúdos ficaram claros. Muito mais do que definir um
conceito para os alunos, esse tipo de instrumento deve
servir de base para a discussão e reflexão em grupo de
professores entre si, e entre professores e alunos.
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