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O
LAÇO DE FITA
Castro
Alves
Não sabes, criança? Estou louco de
amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?
Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos de moça bonita,
Fingindo a serpente que enlaça a folhagem,
Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minha alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que intua e palpita.
Por que é que trem este?
Não eram meus lábios...
Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
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Na alcova onde a vela ciosa...crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças,
Pois bem! Quando um dia, na sombra do vale
Abrirem-me a cova...formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
Teu laço de fita.

Enviado
por Hilda -
quinta-feira,
5 de dezembro de 2002 - 17:47
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