Existem,
em ti, coisas que gosto e que não
gosto,
Por
isso
aqui vai, em forma de manifesto,
Em
carta aberta, a voz do meu
protesto:
Não
me incomoda que não durmas,
Desde
que possas não dormir comigo,
Mas
me incomoda que durmas,
Se
é um outro que dorme contigo.



Não
me aborrece quem te rodeie,
Se
passageiro, sem nome e sem
recheio,
E
como para as coisas do amor,
estou desempregado,
Ofereço-me,
quem sabe, para ser teu
contratado.
Como
pagamento aceito mil quilos dos
teus beijos,
E
mesmo, até, a flor do teu
desejo.
Em
troca ofereço minha ternura e
minha mão,
A
rabiscar, em tuas costas nuas,
enorme coração,
Que
por ser teu, há de proteger-te
em cada sonho,



Para
que, ao acordares, me descubra
risonho,
Desdizendo
tudo o que disse agora:
Que,
em ti, há coisas que gosto e
que não gosto,
Pois
se gosto de ti, és tudo o que
mais gosto,
Se
gostares, só de mim, não terás
nada do que eu não gosto.